Escassez de notas e moedas, falta de terminais de pagamento electrónico e um sistema bancário incapaz de acomodar o sector informal. Para solucionar o problema, o Zimbabué vai diminuir as taxas para as transacções electrónicas e distribuir mais terminais pelo país.

Durante uma década, o Zimbabué sofreu uma grave crise de hiperinflação cujas consequências ainda hoje colocam na corda bamba a economia do país. Essencialmente, os bancos zimbabueanos sofrem de falta de liquidez, levando a que se formem longas e demorosas filas para levantar dinheiro. Entretanto, foram impostos limites os levantamentos diários, sendo que em alguns casos os depositários apenas estão autorizados a levantar até 50 dólares por dia.

O que fazer? Para resolver, em parte, esta escassez, o Banco Central do Zimbabué (o RBZ) está a promover incentivos para que os zimbabueanos deixem de usar moedas e notas e recorram mais ao “dinheiro de plástico”: que é como quem diz, cartões de débito ou crédito, por exemplo. Em suma, quer-se dinamizar o comércio electrónico de bens e produtos.

O objectivo, conforme indica o Financial Gazzete, é o de garantir que 80% das transacções monetárias no país sejam feitas através de cartões ou de plataformas digitais, isto no espaço de cinco anos. Para incentivar esta revolução e convencer a população a adoptar esta nova forma de pagamento e transferência de dinheiro, o RBZ reduziu em Junho deste ano as taxas para todas as transacções electrónicas.

O problema, tal como cita o jornal de Harare, é que “a economia do país tornou-se largamente informal, mas os bancos falharam em acomodar este sector informal, levando que a o dinheiro de plástico não fosse utilizado para fazer transacções dentro do sector”. Além do mais, as altas taxas cobradas pelos bancos sempre desencorajaram, por exemplo, o uso de cartões de débito, além de que não existem no país terminais de pagamento electrónico em número suficiente, e os que existem nos estabelecimentos comerciais, em muitos casos, não inspiram confiança.

Face à situação e à urgência em seguir a estratégia delineada pelo RBZ, o presidente da associação de instituições bancárias do Zimbabué, Charity Jinya, já garantiu que existem planos para comprar mais terminais de pagamento electrónicos e espalhá-las pelos mais diversos pontos do território, mesmo os mais remotos, de forma a reduzir o uso de notas e moedas.

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